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As palavras perderam o sentido... Apetece procurar...

среда, июля 30, 2003

Questões em questões... Sem um único ‘?’... 

Estava a cuidadosamente os tratados dos telemóveis no abrubto, um arrepio corre-me pelo corpo, pelas mãos, corria-me até pelas unhas se não fossem pedaços de corpo mortos e sem vida que tendo a roer freneticamente. Penso em partir este objecto, um Nokia 3410, penso em desistir da compra de um outro que me vai custar 150 Euros pelo serviço Pack Empresas da Vodafone... Penso na verdade de ser uma liberdade não o ter, quando adquirimos um telemóvel, adquirimos também, inerentemente, um cordão umbilical com o mundo do qual nos tornamos não só dependentes, mas com o qual (o mundo) estabelecemos um contrato de permanência de comunicação. Este pensamento súbito assusta-me imenso, apercebo-me de que sou quase que obrigado a dizer qualquer coisa, se alguém me manda uma mensagem é de mau tom não responder, se vejo uma chamada não atendida devo ligar de imediato ou dizer pelo menos qualquer coisa, estas coisas por si só exigem uma justificação, qualquer coisa, entrámos num mundo que nunca imaginámos ser assim, mas é tal como é, e é estranho que assim seja.
Paro por momentos a escrita, a minha namorada mandou-me uma mensagem e vou-lhe responder, quando começo a escrever paro um pouco para pensar no porque é que me sinto forçado a responder... como disse uma vez a charlotte na bomba, “uma pergunta merece uma resposta”... Questiono-me, respondo à minha namorada com o maior dos sorrisos a correr por mim dentro. Custa-me a entender isto. Tenho a mania de querer perceber tudo, acima de tudo tenho a obsessão de me entender a mim, nem sempre consigo, os corpos são coisas frágeis e os corações máquinas de vidro que se teme a todo o instante que quebrem, se estilhacem em mil pedaços, a questão mais preocupante é que não me entendo em vários pontos, eu que tenho a mania que sei muito sobre muita coisa, eu que estudei tanta coisa, desde arquitectura até religiões, literatura e estilos de vida... Não me entendo a mim mesmo.

вторник, июля 29, 2003

Inevitável

As palavras, quando repetidas vezes demais, esvaem-se de sentido, tornam-se ocas, vãs, pouco credíveis para todos os mundos...
Ela era nova, inconsciente das dores e dos vazios que sabia poder provocar. Ele estava envelhecido e encontrou-a. Foi numa negra noite de Lisboa em que ele vira um vulto sentado numa amurada a sofrer as convulsões das lágrimas que se prendem ao corpo, rebeldes... Ele falou-lhe e tornaram-se grandes amigos numa questão de meras frases. Ele a rocha, e ela o enorme dique estilhaçado que permitiu o perfeito encaixe.
Não havia sequer passado uma hora quando, da neblina de suor metropolitano, surgira o primeiro beijo... Desde então ela continuara a ser um enorme dique, e ele a rocha que sustinha um gigante. Os corpos são coisas frágeis, os corações máquinas de vidro que se teme a todo o instante que quebrem, desapareçam.
Ela ameaçava o suicídio sempre que podia, ele acedia e mudava, pelo tempo que achava possível ou necessário. Um dia chegara mesmo ao cúmulo de abrir cortes enormes num braço, por ele se ter esquecido de usar uma gravata, um presente de há meses, que ficara esquecido numa caixa forrada a jornal... Passara horas dessa noite de joelhos a lavar a cozinha, por entre todo o sangue e ansiolíticos.
O dia chegou em que a rocha, gasta, nada mais era que um seixo e passou pelo dique que ameaçou ceder, não olhou para trás, não deixava nada senão o que fora. Três dias depois, quando por fim decidira sair da cama, o corpo dormente de vários comprimidos de metadona, ansiolíticos, haxixe, e outras amostras de um mundo que era o dela, deparou-se com uma explosão de imagens na televisão, que deixara sem som, pareciam correr em todos os canais. Uma jovem enforcara-se na ponte 25 de Abril, solta uma gargalhada, abre os olho0s, vê, cega, arrepia. Deita a TV pela janela abaixo, vê-a estilhaçar-se sobre a estrada em pequenos pedaços. Abre os olhos, as lágrimas a cegarem, nunca o suficiente para deixar de ver o que estava pintado à frente da entrada do prédio, vermelho, uma letra familiar:
“Vês? Eu avisei-te!�
Era inevitável...
É que apeteceu-me mesmo... que chato!


Inevitável

As palavras, quando repetidas vezes demais, esvaem-se de sentido, tornam-se ocas, vãs, pouco credíveis para todos os mundos...
Ela era nova, inconsciente das dores e dos vazios que sabia poder provocar. Ele estava envelhecido e encontrou-a. Foi numa negra noite de Lisboa em que ele vira um vulto sentado numa amurada a sofrer as convulsões das lágrimas que se prendem ao corpo, rebeldes... Ele falou-lhe e tornaram-se grandes amigos numa questão de meras frases. Ele a rocha, e ela o enorme dique estilhaçado que permitiu o perfeito encaixe.
Não havia sequer passado uma hora quando, da neblina de suor metropolitano, surgira o primeiro beijo... Desde então ela continuara a ser um enorme dique, e ele a rocha que sustinha um gigante. Os corpos são coisas frágeis, os corações máquinas de vidro que se teme a todo o instante que quebrem, desapareçam.
Ela ameaçava o suicídio sempre que podia, ele acedia e mudava, pelo tempo que achava possível ou necessário. Um dia chegara mesmo ao cúmulo de abrir cortes enormes num braço, por ele se ter esquecido de usar uma gravata, um presente de há meses, que ficara esquecido numa caixa forrada a jornal... Passara horas dessa noite de joelhos a lavar a cozinha, por entre todo o sangue e ansiolíticos.
O dia chegou em que a rocha, gasta, nada mais era que um seixo e passou pelo dique que ameaçou ceder, não olhou para trás, não deixava nada senão o que fora. Três dias depois, quando por fim decidira sair da cama, o corpo dormente de vários comprimidos de metadona, ansiolíticos, haxixe, e outras amostras de um mundo que era o dela, deparou-se com uma explosão de imagens na televisão, que deixara sem som, pareciam correr em todos os canais. Uma jovem enforcara-se na ponte 25 de Abril, solta uma gargalhada, abre os olho0s, vê, cega, arrepia. Deita a TV pela janela abaixo, vê-a estilhaçar-se sobre a estrada em pequenos pedaços. Abre os olhos, as lágrimas a cegarem, nunca o suficiente para deixar de ver o que estava pintado à frente da entrada do prédio, vermelho, uma letra familiar:
“Vês? Eu avisei-te!�
Era inevitável...
Hoje apeteceu-me abrir as páginas deste booklet de amostra..


Idades

Acende o cigarro e olha à volta. Observa atent-amente as caras, os lábios que se lhe dão sem notar, é atra-ente, diferente. Está numa terra em que o desconhecer é recíproco e não fala com ninguém. Sorve lentamente o café enquanto se ajeita placidamente na cadeira da mesa que escolheu para se sentar e que fica a um canto que lhe dá a perspectiva que precisa para ver quem entra. Tem 29 anos, amanhã terá 30. Escolheu aquele lugar e livrou-se de tudo o que poderia servir para o contactarem. Não quer envelhecer mais uma década. Tem um ar mais novo do que a realidade e com a barba feita passa facilmente despercebido por entre os jovens que entram e saem, se alguém lhe pergunta se se pode sentar ao pé dele responde delicadamente que não, que está à espera de alguém.
Escolheu passar um aniversário na sua ignorância já que o resto do seu mundo não o deixa fazê-lo. É escritor de profissão, o seu nome repete-se no final de várias colunas de jornais e tem três livros editados que muita gente lê sem saber que são mentiras, tudo mentiras. Estudou o mundo na Alemanha, arrastou-se por Berlim, visitou a cidade de Luxemburgo vezes suficientes para se dizer que viveu lá, foi um aluno exemplar e conheceu artistas e políticos, entidades mais poderosas que ele que o admitiam como superior.
Voltou a este seu país natal para fazer manobras radicais com as empresas e chegou mesmo a comprar uma grande empresa que vendeu pelo triplo do valor, aos bocados, a vários sócios que a deixaram falir. Descobriu cedo demais que era tudo muito fácil, demasiado fácil, e desistiu. De tempos em tempos recebia telefonemas de grandes gentes do estrangeiro com propostas de empreen-dimentos arriscados que o aliciavam. Resistiu sempre até deixar de pagar a conta do telefone por sete meses, até lhe cortarem o telefone. É rico, tem uma empresa correctora no Luxemburgo que lhe dá o que quatro grandes famílias poderiam usar para viver muito bem. Tem tudo guardado no banco. Num cofre que montou à um mês em casa tem um testamento que garante a doação de uma fortuna aos pais que o baniram por se prostituir para pagar a ida para Berlim, para os pais que lhe disseram que seria melhor uma Universidade de Coimbra e defendiam que isso lhe devia bastar. Nos lábios tem um sorriso e no quarto de hotel onde deixou uma pequena mala, um revólver com uma bala no tambor que descansa sobre a mesa de cabeceira.
Nasceu às 13 horas e 16 minutos, no dia que se repetirá amanhã. Quando esteve em Londres jurou a um amigo que não se iria deixar definhar pela idade e ninguém compreendeu o que quis dizer.
Um dos textos do má sorte... o que é simplesmente para dizer... desejem-me boa sorte... eheh


A Moral

Sim, claro, a moral...
Passeia pela rua ali, junto ao elevador, ali... Mesmo próximo do miradouro, ali... Olha, vai ali, sentou-se junto da estátua do Adamastor... A prostituta, viste-a?
Pois a moral... Como te dizia, como, aliás, sempre digo, a moral é uma coisa estranha que não funciona lá muito bem, talvez por isso se possa afirmar a pés juntos que é da humanidade que vem. Olha ali, estás a ver? Ali em cima, naquela janela aberta, vê se consegues ver, eu vi, vi um corpo nu e depois outro... Olha Agora! Viste? E olha alo – não te preocupes – podes olhar à vontade, elas não se importam, estás a ver aquelas duas com o cachimbo de erva nas mãos? Procura a mão que não vês, estás a ver onde está? Olha agora, ela tirou-a, consegues ver as gotas emaranhadas de sangue? Imagina... Agora pensa na moral... As coisas passam-se assim todos os dias, não penses que é por estares aqui que está tudo a fumar erva e haxixe e até eu enrolo um charro mais forte que o normal... Isto é complicado, esta coisa de ter que queimar a ganza... Olha, segura-me aqui na mortalha. O.k., agora já ma podes dar, isto é uma arte percebes? Mas a moral, pois, era disso que estávamos a falar não era?... A moral... Podia ficar horas a falar de moral, mas acho que é melhor fumarmos esta... A moral já foi bonita, agora já passou de moda
Anti-social...
A palavra dispensa qualquer decomposição, talvez a palavra que realmente precisaria de uma decomposição etimológica seria a palavra ‘sociedade’.
Mas o que é então um anti-social, depreende-se que seja um indivíduo que seja estranho a convívios, mas tal não será uma negação da condição humana? O ser humano precisa de contacto com os da sua espécie, necessita de ver pessoas, de falar, de comunicar e de dialogar. Chamamos a um gótico anti-social, no entanto se entrarmos numa comunidade gótica vemos que são tudo menos isso, na generalidade, aliás, são pessoas incrivelmente afáveis, com o mais belo dos sorrisos, e comunicando entre os seus, falando das mesmas coisas, desde personalidades até literatura, de música até política... Creio ser errado e contraditório dizer que é um grupo de anti-sociais que formam uma pequena comunidade... O exemplo do gótico é apenas isso, um exemplo. Passa-se o mesmo com qualquer minoria social, pode-se dizer o mesmo de punks, freaks, indies... Pode-se dizer o mesmo de todos aqueles que são menos que todos os outros... Estará certo chamar aos membros destas minorias anti-sociais? Eu prefiro apelidá-los de diferentes, são pessoas que batem o pé, que têm a coragem de se vestirem como se sentem bem, pessoas que escolheram o seu rumo ao invés de adoptar o dos outros.
Aqui parte-se para bem longe do conceito de anti-social, são pessoas que adoram o diálogo. Todos os títulos que lhes possamos conferir, quer seja inadaptado, desajustado, entre outros, poderão eles também chamar à crescente população de betos, que neles constitui a mesma ofensa que o oposto... É urgente olhar bem para isto, se vivemos em sociedades multiculturais, porque não tiramos o melhor partido disso e decidimos enfim aprender uns com os outros?
Tenho por hábito ler os blogs desde o seu início, assim como se folheia um jornal e se vai ver as edições anteriores para procurar um seguimento... (tenho por hábito não pegar sequer num jornal...)
Hoje estava a ler o Fora_da_lei e deparei-me com um post que fala bem, pouco, mas bem, a verdade é que a origem dos blogues, a sua razão de existência, é, no fundo dar uma hipótese de publicação a um diário pessoal, logo, pode-se chegar à conclusão de um blog é, por natureza, algo bem mais intimista, todos os dias vou ler blogs como a bomba, o gatfedorento, o fora da lei supra citado, entre outros que me captam a atenção pelos comentários do mundo que não vejo e que bebo sequiosamente. Mas agora questiono-me, é claro que leio os blogs com muito mais euforia do que olho para a televisão, ou do que leio um jornal, acontecimento raríssimo. Mas concordo com o Samuel (é assim que se chama o dono do fora da lei?) no seu post. No entanto muitos falam das vantagens, com as quais concordo, de nos blogs se poderem ler comentários mais livres do que os dos media, logo mais verdadeiros. Culpam os blogs de serem intimistas quando é esse mesmo o propósito dos blogs. Questiono-me sobre a razão pela qual criei o meu, este pequeno analfabruto questiona-se sobre as razões para deixar viver este pequeno blog...

вторник, июля 22, 2003

Assim se choca uma depressão... Estou a pensar em ir até à sala agarrar-me ao absinto, talvez ao láudano, muito provavelmente ao tabaco e a um qualquer livro... Peço à charlotte para decompôr etimologicamente a palavra 'depressão'...
Ora hoje decidi enviar um Mail à Charlotte... Ora a gentil senhora decidiu responder-me. Parafraseando-a, uma resposta merece uma resposta, e assim se deverá dar início a um diálogo? Talvez.

Os dias passam e torna-se raro vir cá deixar algo neste pequeno diário que me é ainda estranho, além de estar sonolento...
Nada sairá de jeito daqui hoje, volto para o sofá e para o cigarro, uma sala cortada por um perfume de incenso. Hoje vi um casal a discutir, impressiona-me o ponto da discussão em que a imagem distorce-se e deixa de ser um casal para serem dois animais estranhos a disputarem um pedaço de carne que neste caso era a razão. Impressiona-me, a sério que sim. Seria talvez melhor o silêncio. Ainda há pessoas que não sabem amar, ou seria melhor dizer que ainda há pessoas que sabem amar? Não as vejo.
Da sala vem uma música de Alanis Morissete... Escrevo e nada digo, as palavras desaparecem debaixo dos meus dedos, fogem aos estilhaços para o teclado de onde não as posso recuperar... Meu Deus salva-me disto, deste mundo que não é meu... Ah é verdade... aqui fica o meu mail... Woechantics@iol.pt . Por amor de Deus (pois... amor...) não me entulhem a caixa com fotografias fofinhas de amigos e coisas dessas... Antes escrever. Não é que este blog seja muito conhecido... Mas para o caso de alguém tropeçar neste pedacinho de terra... Aqui fica.

понедельник, июля 21, 2003

Morre-se


Impressionante, o tempo passa. Incólume, um vagalhão que roça nas almas, penetra sem perfurar a casca que é a pele, o osso, a carne. Fica-se por saber o que é a alma, para onde vai o tempo, onde está a alma no corpo, fica-se por saber a cor real e verdadeira das coisas... Morre-se, morre-se muito. Genocídio constante da humanidade, fica por se saber tudo aquilo que importa, ficamos a saber da matemática e de tudo o que só existe porque se criou, fica-se por saber da cor dos olhos de um veado, fica-se por sentir nas mãos as imperceptíveis escamas de uma cobra entrelaçada nos dedos. Mas morre-se pelos cantos do mundo como déspotas que tudo sabem: Não está certo.
Não devia ser assim, nada devia ser como é. È uma constante urgência, uma revolução. Um coup d’etat, no mundo, nos Homens, nas coisas que se fazem do nada, que aparecem das nossas mãos. Fazer pó das coisas todas, dos lápis, dos ossos, das penas...
A única e constante verdade é que se morre sempre, por todo o lado, pelos cantos do mundo, sem saber.

четверг, июля 17, 2003

Bem... Mais um blog para a chamada 'blogosfera'... Não sei bem porque o criei, mas creio que a descrição basta, as palavras perderam mesmo o sentido, olho para as pessoas como para páginas de um livro em branco que ninguém quer preencher, olhares vazios povoam as ruas, as mesas dos cafés, os interiores dos transportes públicos e de tudo o que se arrasta morosamente pelas cidades... É urgente encontrar tudo isto que se perdeu, é urgente parar por um momento de criticar os media (sim... mesmo o DNa), criticar as gentes, e procurar um píncaro de sentido dentro de nós próprios... é urgente...

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